Ao deixar Israel, Bolsonaro diz que agora ‘vai jogar pesado’ na reforma da Previdência

Antes de embarcar, presidente afirmou que não quer encrenca com ninguém, referindo-se ao povo árabe. Na terça (2), ele foi ao Museu do Holocausto e falou que nazismo é de esquerda.

Após 4 dias de visita oficial a Israel, o presidente Jair Bolsonaro está voltando ao Brasil. O avião do presidente e sua comitiva decolou do Aeroporto Internacional Ben Gurione, em Tel Aviv, na madrugada (horário brasileiro) desta quarta-feira (3).

Ao deixar o hotel em Tel Aviv, Bolsonaro falou com a imprensa. Disse que anda cansado, que o foco do governo agora é a aprovação da reforma da Previdência, que está disposto a dialogar com o Congresso e que não quer encrenca com o povo árabe.

Previdência

“Vamos jogar pesado na [reforma da] Previdência, porque é um marco. Se der certo, tem tudo para fazer o Brasil decolar”, afirmou.

Ele voltou a dizer que o Congresso é soberano para fazer alterações na proposta. “O deputado, na ponta da linha, sabe onde o calo aperta. A boa Previdência é a que passa. Quem vai bater o pênalti é a Câmara, e depois Senado”, afirmou.

“O Parlamento é soberano para fazer os polimentos. Gostaria que passasse como chegou. Mas não existe projeto que não tem mudança, é coisa rara de acontecer”.

Cansaço

Bolsonaro diz estar preocupado com sua saúde. Ele sabe que terá agenda intensa quando desembarcar em Brasília nesta quarta, e na pauta estará justamente a reforma da Previdência. O presidente, no entanto, afirmou que está disposto a se reunir com Rodrigo Maia (DEM-RJ), presidente da Câmara dos Deputados, e outros parlamentares e políticos.

“Doria está planejando jantar na sexta (5). Mas a batida está muito forte”, reclamou. “Eu tenho que enfrentar”, disse sobre a agenda de reuniões.

Empregos

O presidente falou, também, que governo está elaborando Medida Provisória (MP) para auxiliar na geração de emprego, mas não deu detalhes. “O objetivo é tirar o estado de cima do empreendedor”, afirmou.

Árabes

Bolsonaro disse que foi convidado a visitar países árabes, embora não tenha revelado quais países o convidaram.

“Fui convidado por vários países árabes [para fazer visita]. Não estamos procurando encrenca com ninguém. Quero é solução! Todos aqueles que puderem fazer negócios conosco, da minha parte, vão ter todo carinho e consideração. Mas tenho que respeitar o Estado de Israel. Respeito o povo palestino. Mas não posso concordar com grupos terroristas, pois estaria contra a minha biografia que combatia esse pessoal da ‘esquerdalha’ desde 70, quando era garoto. Meu compromisso é com Israel”.

100 dias de governo

Segundo Bolsonaro, seu governo está no rumo das metas que havia planejado para os primeiros 100 dias. “Mais de 90% será atendido. 10% será parcialmente atendido. Meu planejamento deu certo, pois saí do ‘zero’ e hoje sou presidente”, comparou.

Escritório comercial em Jerusalém

No último domingo (31), no primeiro dia de sua visita oficial a Israel, Bolsonaro anunciou a abertura de um escritório comercial do governo brasileiro na cidade de Jerusalém, considerada sagrada por cristãos, judeus e muçulmanos e que não é reconhecida internacionalmente como capital israelense.

A Autoridade Palestina condenou a decisão e anunciou que vai chamar de volta ao Oriente Médio o embaixador no Brasil para consultas, o que no protocolo diplomático significa uma grande insatisfação e reprovação por parte do governo palestino.

Em Israel, Bolsonaro se reuniu com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, foi ao Muro das lamentações e também se encontrou com empresários.

O presidente Jair Bolsonaro ao lado de Benjamin Netanyahu, em visita ao Muro das Lamentações, em Jerusalém nesta segunda-feira (1º) — Foto: Reprodução/GloboNews O presidente Jair Bolsonaro ao lado de Benjamin Netanyahu, em visita ao Muro das Lamentações, em Jerusalém nesta segunda-feira (1º) — Foto: Reprodução/GloboNews

O presidente Jair Bolsonaro ao lado de Benjamin Netanyahu, em visita ao Muro das Lamentações, em Jerusalém nesta segunda-feira (1º) — Foto: Reprodução/GloboNews

O presidente Bolsonaro também anunciou a assinatura de seis acordos com o governo israelense. O primeiro trata de entendimentos para cooperação em Ciência e Tecnologia, com o objetivo, de acordo com o Itamaraty, de “desenvolver, facilitar e maximizar a cooperação entre instituições científicas e tecnológicas de ambos os países com base nas prioridades nacionais no campo de C&T e nos princípios de igualdade, reciprocidade e benefício mútuo, e de acordo com as leis nacionais”.

Também foi assinado um acordo sobre segurança pública. Outro ato trata de entendimentos sobre cooperação em questões relacionadas à defesa para “promover a cooperação entre as partes”.

‘Nazismo de esquerda’

No Memorial do Holocausto, Bolsonaro diz que nazismo era de esquerda

No Memorial do Holocausto, Bolsonaro diz que nazismo era de esquerda

Na terça (2), Bolsonaro afirmou em Israel não ter “dúvida” de que o nazismo era um regime de esquerda. Ele deu a declaração após ser questionado se concorda com a opinião do ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, de que o nazismo era de esquerda.

“O senhor concorda com o seu chanceler de que o nazismo foi um movimento de esquerda?”, indagou um jornalista a Bolsonaro.

“Não há dúvida, não é? Partido Socialista, como é que é? Da Alemanha. Partido Nacional Socialista da Alemanha”, respondeu o presidente (veja no vídeo acima).

Conforme o comentarista Guga Chacra, da GloboNews, o partido citado por Bolsonaro tinha o objetivo de expandir a presença dos arianos, não a esquerda. O comentarista acrescentou ainda que Bolsonaro é filiado ao Partido Social Liberal (PSL).

Mais cedo, também na terça, Bolsonaro visitou o Centro Mundial de Memória do Holocausto, em Jerusalém. O museu afirma que o nazismo era de direita.

O nazismo consistiu em um movimento nacionalista durante o regime de Adolf Hitler que pregava a superioridade dos arianos e perseguia judeus. O nazismo, reforçam historiadores, se dizia justamente contrário à esquerda, ao comunismo e ao socialismo.

‘Fraude intelectual’

A fala de Ernesto Araújo, com a qual Bolsonaro disse concordar, foi criticada por historiadores ouvidos pelo Jornal Nacional.

Para Para Antonio Barbosa, historiador da Universidade de Brasília (UnB), falar que o nazismo é um fenômeno de esquerda é uma “fraude”.

“Uma fraude intelectual e uma releitura completamente equivocada da própria história. É como se fosse negar o fato histórico que aconteceu na Alemanha nos anos 1930, nos anos 1940. Esse é o primeiro ponto. O segundo é que o nazismo se justifica como a oposição mais vigorosa ao socialismo, à esquerda, ao comunismo. […] No caso da política externa, isso é extremamente perigoso porque mostra ao mundo uma visão sectária, radicalmente sectária no Brasil, o que não é bom para o país”, afirmou.

Para Ruth Bem-Ghiat, historiadora especializada em fascismo e autoritarismo pela universidade NYU, de Nova York (EUA), o ministro tem que reler os livros de história.

Ruth reforça ainda que dizer que o nazismo e o fascismo são de esquerda é um “absurdo”.

‘Besteira completa’

Em entrevista ao jornal “O Globo” em setembro do ano passado, o próprio embaixador da Alemanha no Brasil, Georg Witschel, afirmou ser uma “besteira completa” dizer que o fascismo e o nazismo são movimentos da esquerda.

“Isso não é fundamentado, é um erro, é simplesmente uma besteira”, acrescentou.

Nazismo era de direita, diz museu visitado por Bolsonaro

Bolsonaro na manhã desta terça, o Centro Mundial de Memória do Holocausto Yad Vashem, em Jerusalém. O museu relembra o genocídio de seis milhões de judeus pelo regime nazista.

No site da instituição, há um breve histórico sobre a ascensão do Partido Nazista na Alemanha no qual afirma que o regime fez parte de “grupos radicais de direita”.

“Junto à intransigente resistência e alertas sobre a crescente ameaça do comunismo, criou solo fértil para o crescimento de grupos radicais de direita na Alemanha, gerando entidades como o Partido Nazista”, afirma o museu.

Fonte:G1

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